segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Um novo ano e muitas espectativas

O encontro com o grupo foi na semana seguinte, fizemos uma reunião para apresentar o projeto 2009. Aproveitamos a oportunidade para fazer uma apresentação do Instituto Alana - Missão, objetivos e serviços oferecidos.

Como no fim do ano foi tudo muito corrido e na reunião de fechamento algumas das participantes, acreditaram que seria uma festa e em vez de uma reunião (para conclusão do trabalho), não foi possível fazermos uma conversa sobre as atividades do ano, muito menos sobre a feira da Alameda das Flores. A conversa ficou entorno dos acordos e combinados sobre a participação e os compromissos assumido e não realizados.

Então começamos o ano com esta conversa. Apresentei os resultados, os valores arrecadados com a venda dos produtos. O quanto cada uma recebeu, quantas pessoas participaram da produção e do rateio.

Destinação dos valores da comercialização dos produtos

Dos valores arrecadados 74% foram destinados para remuneração das participantes, cada uma recebeu 3,3 % dos valores arrecadados. E 26% foi revertido em fundo de capital para uso fruto do grupo de geração de renda.


Outro ponto discutido nesse encontro foi os produtos em estoque, valores à receber e o fundo de capital que o grupo juntou.


Para este ano o desenho do projeto ficou o seguinte:

O Grupo se reunirá duas vez por semana. Termos um encontro com o grupo todo e outro com com grupo dividido em dois sub-grupo para atividades de aperfeiçoamento em técnicas de costura e artes manuais.

temos os seguintes objetivos
  • Incentivar a escolarização e acesso a cultura geral;
  • Formação básica em gestão de pequenos negócios (contabilidade / fluxo de caixa, micro-crédito, iniciação em vendas, noções gerenciais e administrativas);
  • Formação inicial e acesso ao mundo digital;
  • Identificar os canais de venda, participação em feiras e eventos para comercialização;
  • Elaborar em conjunto com o grupo o Plano de Negócio do empreendimento;
  • Desenvolver produtos e práticas produtivas aptas a tornar o grupo emancipado;
  • Conseguir o apoio dos companheiros / maridos e articular local para as crianças ficaram;
  • Ampliar as relações de cooperação e solidariedade, envolver as pessoas na construção de alternativas que melhorem a qualidade de vida da comunidade e de si próprios;
Além da continuação do grupo como um coletivo produtivo para este ano abriremos mais 32 vagas para formação básica e conclusão da formação básica da turma do meio de 2008, que recebeu todas as pessoas que interromperam formação e quiseram voltar.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Um ano inteiro e olha só.

Durante o ano de 2008 o grupo sócio educativo desenvolveu uma atividade de formação em costura e artes manuais para mulheres da comunidade. No s encontros as participantes do grupo foram criando espaços de trocas sobre as experiências vividas, desvelando o universo particular de cada uma, ao mesmo tempo que se identificam com a história de vidas de outras pessoas, um processo do individual para o coletivo.
O grupo sócio-educativo (costura) é um espaço para fala e troca de experiências; muitas vezes só a possibilidade de falar para alguém ou apenas escutar, compartilhar e saber que outras vivem ou viveram coisas parecidas faz com que sintam-se melhores, mais confiante e, até com mais coragem para enfrentar o dia a dia. É possível escutar comentários do tipo:
  • nunca tive um lugar com este, onde posso ficar com as pessoas e conversar com elas.
  • Este lugar mudou minha vida, adoro vir aqui.
  • Não quero fazer nada hoje, estou indisposta. Mas quero ficar aqui, não quero ir para casa.
  • Meu marido me pergunta se, agora, só vou fazer essas coisas (trabalhos manuais em vez do trabalho doméstico).
  • Nem acredito que fui eu que fiz. Eu consegui.

Essa declarações demonstram que as posturas de algumas delas vem mudando perante a sua realidade e a forma como se colocam perante o mundo. De alguma maneira os encontros possibilitam acesso a um mundo novo e ao mesmo tempo comum. Aos poucos as participantes se descobrem capazes de produzir – coisas - de materializar desejos, transformado-os em vontade e em realizações.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Desenvolvimento do grupo

Iniciamos o segundo semestre (2008), com a meta de participar do Casa Aberta, oportunizando a mostra da produção individual do grupo. Até este momento as participantes do grupo vinham realizando tarefas, criando coisas em casa, dando corpo ao processo de aprendizagem. A exposição foi o momento de compartilhar com os outros isso tudo.

O grupo esteve bastante envolvido neste processo; lógico que sempre temos aquelas que se envolvem mais, talvez sejam as que mais acreditam na possibilidade de transformação. Todas que participaram da formação levaram peças para a exposição e em sistema de rodízio ficaram no local por todo tempo. A necessidade de ficar no local foi devido a grande circulação de pessoas, a guarda dos trabalho e também para prestar possíveis informações sobre que trabalho era aquele. Mesmo as pessoas que iniciaram o curso em agosto participaram colaborando com seus trabalhos e a permanência no local. Ainda para o Casa Aberta, o GSE confeccionou parte do figurino usado na apresentação do NCI (NAI).

Após o Casa Aberta o grupo assumiu outro desafio, participar da Feira de ONG da Alameda das Flores e a realização de um Bazar no espaço institucional. Nestes espaços o grupo pode expor os produtos confeccionados artesanalmente, comercializá-los, como também divulgar o trabalho desenvolvido pelo Instituto através do NAS-GSE.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Parceria com o consulado da Mullher


No início deste ano fomos visitado por uma técnica (Nilza) do Instituto Consulado da Mulher que fazia o mapeamento sobre as iniciativas de geração de renda na região Leste(2).

Posteriormente ela propôs apoio ao grupo sócio-educativo através de formação técnica.

Foi-nos oferecido a possibilidade de participar de uma formação sobre Plano de Negócio, curso realizado pelo SENAC-Itaquera - Programa Empreender para Desenvolver .

Fui para a formação junto com duas participantes do grupo, Teresa e Eliane. Nossa tarefa era descobrir como fazer o tal plano de negócio e posteriormente replicar para o grupo, num processo de transferência de conhecimento e ao mesmo tempo construção de sonhos e objetivos comuns.

O curso foi de outubro a dezembro e possibilitou conhecer outros empreendimentos da região. Acredito que mundo se abriu em mil possibilidades para Teresa e Eliane. As demais participantes puderam participar de outras atividades com o Consulado da Mulher, assim conhecendo as propostas de trabalho desta instituição e também os diversos empreendimentos da região.

Para conclusão dos trabalho com essa parceria elaboramos um (início de) plano de negócio, trazendo as idéias principais do empreendimento. Para 2009 fica o compromisso da elaboração total do plano de negócio.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Plano de Negócio - apresentação

Instituto Alana - Costurando uma nova realidade

1- Apresentação do Empreendimento

Este empreendimento objetiva oferecer soluções para questões sócio-econômicas da comunidade Jardim Pantanal – Zona Leste ( Leste 2) de São Paulo sofreu grande crescimento populacional entre as décadas de 1970 e 1990 com a política de habitação e também com a migração espontânea. Entretanto não houve investimentos em infra-estrutura e postos de trabalho. Pelo contrário, com o passar dos anos algumas empresas deixaram a região. Hoje a Zona Leste é a área mais populosa do município com mais de 2 milhões de habitantes. Apresenta os piores índices de desenvolvimento social e produtivo, com arrecadação fiscal de apenas 17% do Valor Adicional Fiscal contra a Zona Sul que apresenta 31% deste valor. A região denominada Leste 2 participa de apenas 3% do Valor Adicionado Fiscal arrecadado no município.
Devido a esta característica a região é considerada área/bairro dormitório, sem infra-estrutura mínima para habitação e com poucas ofertas de emprego. Esta situação faz com que uma imensidão de pessoas se desloquem, diariamente, em direção ao centro/sul da cidade em busca de postos de trabalho, ocasionando um grande aumento na demanda por transportes para essas regiões.
A Comunidade – Jardim Pantanal se insere neste contexto com alguns agravantes: grande número de famílias vivendo em situação de alta vulnerabilidade, falta de oportunidades de trabalho e praticamente ausência de formação profissional, faz com que a comunidade apresente os piores índices de desenvolvimento, de qualidade de vida e acesso à cidadania. Como conseqüência desta situação, a comunidade apresenta um alto índice de desemprego, maior que o da média da cidade, fruto da baixíssima qualificação escolar e profissional dos moradores, violências de todo tipo, presença do crime organizado, gravidez na adolescência, alcoolismo, muitos problemas de saúde física e mental.
Desta forma ao incentivar a organização de um empreendimento solidário objetivamos a construção de modelos que rompam com os fatores estritamente econômicos, levando em conta as relações de reciprocidade, abrangendo aspectos sociais e políticos, processos participativos e modificações nas relações de gênero.
A prática da economia solidária aparece como ferramenta na busca de soluções para sair da condição 'problema-social'.Com este novo fazer, a população assume uma condição mais protagonista da própria vida e emerge como agente empreendedor.
Este protagonismo reflete na comunidade e dentro da família elevando a auto-estima da população, aumentando os laços de solidadriedade, indivíduos com maior autonomia social e econômica, e a diminuição da violência doméstica.
Este tipo de empreendimento está pautado em novas relações de trabalho – autogestionária e solidária - e uma nova relação de produção
A escolha de uma produção artesanal é por esta possibilitar formas de produção não alienada. MARINHO argumenta que a organização da produção artesanal são esquemas produtivos diferenciados. Esses empreendimentos tem um distanciamento da forma tradicional (fordista/taylorista) de produção, mas necessitam estar sintonizados com os sistemas de comunicação e a outros setores econômicos: turismo, cultura, moda, decoração e tecnologia.
As principais características da produção artesanal é que esta é, fundamentalmente uma expressão subjetiva de quem faz. Sempre em pequena escala, com pequenas diferenciações entre as peças. Entretanto as peças artesanais sempre são analisadas por sua utilidade e funcionalidade precisam ser acessível e também tangível. Não são objetos de contemplação ou estimulo a emoção (MARINHO).
A atividade artesanal como forma de inclusão produtiva necessita investimentos na formação e aprimoramento das técnicas produtivas para uma melhora na qualidade do produto, e também colocar o produtor em conexão com informações econômicas e de mercado, é necessário profissionalizar o artesão. Ao pensar a produção artesanal como possibilidade de desenvolvimento territorial (comunidade), temos uma boa oportunidade para formar pessoas em diversas especialidades para que possam participar, cada qual com sua competência (MARINHO).
O processo de produção artesanal e aprendizagem das técnicas de produção estão ligadas as antiga formas de transmissão de conhecimento – mestre e aprendiz. Muito mais do que ensinar habilidades e técnicas o Mestre-artesão transmitia a seus aprendizes seus valores, princípios e sua forma de relacionar-se com o mundo. Essa relação mestre-aprendiz possibilitava a acumulação de valores compartilhados , necessários para o fortalecimento dos laços comunitários.



1 Para essa análise é usado o Valor Adicionado Fiscal - que corresponde à diferença entre as saídas e as entradas de mercadorias e serviços realizadas pelos contribuintes do ICMS em cada município, declaradas na Guia Informativa Anual, in POCHMANN, M. (org). Reestruturação produtiva – Perspectivas de desenvolvimento local com inclusão social.

2 São Miguel Paulista, Guaianases, Itaquera, Iguatemi, Lajeado, Cidade Líder, José Bonifácio, Cidade Tiradentes, Jardim Helena, Parque do Carmo, Vila Jacuí, Vila Curuçá, Ermelino Matarazzo, São Mateus, São Rafael e Itaim Paulista – aproximadamente 22% da população.

3CASTRO, Dagmar S. P. e NASCIMENTO, A. R. Por um outro desenvolvimento: Gênero e participação em Empreendimentos da Economia solidária.

4MARINHO, Heliane. Artesanato: tendências do segmento e oportunidade de negócio.


Plano de negócio - A Empresa

Missão


desenvolvimento social e econômico da comunidade visando a melhora da qualidade de vida.
geração de renda e trabalho, ampliação do universo cultural, social e informacional;
fortalecimento da auto estima, dos vínculos familiares e comunitários;
incentivar a cooperação, ajuda mútua, senso de coletividade, solidariedade e sentimento de pertencimento;



A estrutura organizacional e legal

A estrutura organizacional e legal será definida com o grupo em processo coletivo, após o estudo das diversas possibilidades:
Cooperativas , Associação , Registro de autônomo , Cadastro na Sutaco – superintendência do trabalho artesanal.

Plano de Negócio - marketing e comercialização

Análise de mercado

Na falta de um retrato do público consumidor de artesanato em São Paulo apontaremos característica gerais do consumidor de artesanato e depois dados da pesquisa sobre o consumo de artesanato em São Luiz - MA1.
Em geral o mercado consumidor de artesanato é exigente, busca produtos diferenciados, feito sob encomenda e que agregue valores sociais. Este mercado não se limita as peças exclusivas ou originais, aceita que ocorra uma pequena seriação na produção, mas que seja em pequena escala (Marinho).

O mercado consumidor em São Luís apresenta as seguintes características:
Quem mais consome artesanato são mulheres entre 25 e 39 anos, renda acima de 2 salários mínimo, com nível superior. Os produtos que mais consomem são – sandálias, bolsas, bijuterias e camisetas.

Para melhor entender o mercado consumidor de artesanato, em São Paulo, é necessário fazer um estudo sobre o hábito de consumo das pessoas que freqüentam os pontos de venda de artesanato, como também sobre os compradores comerciais.

Ameaças do negócio
Desagregação do grupo, baixa produtividade, dificuldade em atingir o público consumidor, baixa qualidade dos produtos, variação de preço.
Heliane Marinho, gerente de Desenvolvimento de Economia Criativa, do SEBRE/RJ aponta algumas formas para reduzir os riscos de fracasso e descontinuidade dos empreendimentos. Os empreendedores dos negócios artesanais devem exercer a cidadania ativa e, como cidadão, estimular a agregação da sua rede comunal para o desenvolvimento e a melhoria da produção, contribuindo para a satisfação individual e coletiva. Em relação ao mercado e comercialização o gargalo esta no baixo controle do processo comercial, no pequeno conhecimento do mercado e das tendências de consumo e falta de inovação. Tudo isso se relaciona a aspectos como formação de preço, design inadequado, baixo volume de produção, resistência a mudanças e falta de visão sistêmica do processo produtivo.

Concorrentes
Foi realizada uma pesquisa de produto, qualidade e preço em três feiras de artesanato na cidade de São Paulo. Além dos produtos apresentados havia uma vasta variedade de tapetes, sandálias em couro, chapéus, bolsas, bijuterias, roupas (vestidos, camisetas, sais, blusas, calças).

Estratégia de marketing

Criação de demanda -

  • Publicidade – divulgar a história do empreendimento, nossos objetivos e resultados através dos veículos de comunicação: informativo Alana; Boletim Alana; Revista do Consulado da Mulher; Internet (blog, loja virtual e página do Instituto – financiador e parceiro), Prospecto (folder), camiseta.

  • Promoção e vendas – participação em feiras de artigos artesanais e de economia solidária , exposições dos produtos em espaços institucionais, ofertas em datas comemorativas, parcerias com lojas solidárias, integrar a rede de comércio justo.

  • Embalagem - sacolas com identificação do projeto/empreendimento, em material que possa proporcionar a reutilização por várias vezes.

Vendas

  • Direta ao consumidor – participação em feiras e bazares, divulgação dos produtos por internet (loja virtual), atendimento no local (ateliê).

  • Venda e consignação a lojas varejistas (comercial e solidário) de decoração e brinquedos artesanais.

  • Venda sob encomendas para empresas.

Assistência ao cliente - pós venda

  • cadastro dos clientes;

  • verificar a satisfação do cliente após aquisição do produto;

  • divulgação de novos produtos e promoções sazonais.


Estratégia competitiva

  • Como estratégia adotaremos os seguintes passos:

  • Realização de feira de empreendimento solidário na comunidade,

  • Participação em feira para comercialização dos produtos;

  • Articulação de espaços institucionais para publicidade do projeto;

  • Parceria com Instituições que promovam o comércio solidário;

  • oferta de produtos personalizados para empresas;

  • divulgação dos produtos para lojas de decoração e presentes;

  • publicação de artigos em revistas de arquitetura e decoração.